Academia de apoio a doentes autoimunes nasce em Portimão

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Objetivo da AICARE – Autoimmunity Care Academy é desenvolver estratégias de educação na promoção da vida saudável para o o doente autoimune. Projeto arrancou com mais de 80 participantes, com idades compreendidas entre os 18 e os 87 anos, e com o apoio da Câmara Municipal de Portimão e da Associação de Médicos do Algarve (AMALG).

A ideia inicial seria a realização da academia todos os meses (no primeiro sábado de cada mês), no Pavilhão da Boavista, em Portimão e, à semelhança do que aconteceu no primeiro encontro, a 7 de março, promover sessões integradas em modo workshop, nas quais a saúde se alia à nutrição, ao exercício físico e também a outras áreas das Ciências da Saúde ou complementares que possam auxiliar o doente autoimune nas várias dimensões da sua vida.

O projeto, contudo, foi parcialmente interrompido, «pela necessidade de nos protegermos durante a fase de confinamento por força do aparecimento da COVID-19», mas «a perseverança dos profissionais que o integram e a vontade de fazer esta academia existir e chegar às pessoas, levou a que a mesma se reinventasse para uma versão online e, tal como inicialmente prometido, mantivesse as suas sessões mensais».

A equipa multidisciplinar é formada por três profissionais de áreas diferentes, mas ao mesmo tempo complementares: Joana Cruz, nutricionista, Rui Batalau, especialista na área do exercício físico e saúde e Carlos Carneiro, médico especialista em medicina interna e coordenador da Consulta de Doenças Autoimunes do Grupo HPA Saúde.

Juntos formam o núcleo duro da AICARE, que promete iniciar um novo paradigma na abordagem do doente como um todo.

«Queremos que esta Academia possa ajudar os doentes autoimunes, sendo o suporte de apoio que faltava a estas pessoas. A ideia é que possamos criar uma comunidade, partilhando ferramentas para o self care da sua doença, de forma a que interdisciplinaridade seja o foco desta abordagem. Nesse sentido, queremos que o doente tenha uma abordagem holística e ao mesmo tempo complementar», explica Carlos Carneiro.

Este médico tem dedicado grande parte da sua carreira às doenças autoimunes.  Na sua opinião, a complexidade dos sintomas, a cronicidade da patologia, os anos que passam desde os primeiros sintomas até que finalmente seja feito um diagnóstico, são fatores que tornam o doente autoimune único.

Além disso, para muitos, o diagnóstico é a descoberta de um mundo desconhecido, e é preciso saber conviver com os sintomas que atenuam mas que não passam.

As doenças autoimunes são frequentemente classificadas como especificas do órgão como a Tiroidite de Hashimoto e a Diabetes tipo 1, e as não específicas de órgão, como o Lúpus e a Artrite Reumatóide, por exemplo.

O tratamento e o controlo dos sintomas tem muitas especificidades e é uma área de estudo emergente, não existindo receitas mágicas, nem um tratamento igual para todos.

No entanto, «identificamos um denominador comum, uma receita de sucesso: gerir, prevenir e otimizar».

Este é também o lema adotado pela equipa mentora da AICARE – Autoimmunity Care Academy. «Saber gerir os sintomas, as emoções, as contradições e todos os fatores individuais; Saber prevenir as crises e saber otimizar todas as vertentes do tratamento de modo a ser autónomo no controlo da doença».

Já se realizaram duas academias online, a 4 de abril e a 2 de maio, cuja aceitação foi muito além do previsto.

«Ter mais de 40 pessoas, durante uma manhã de sábado, agarradas a um ecrã para nos ouvir e fazer exercício físico e depois regressarem ao fim de um mês, vai muito além das nossas mais ambiciosas perspetivas e do que poderíamos imaginar quando decidimos manter a academia a funcionar nesta versão online. Todas as mensagens que fomos recebendo ao longo destes meses, das inúmeras pessoas a quem já conseguimos chegar, fazem-nos acreditar cada vez mais neste projeto, na sua pertinência e na necessidade que o doente autoimune tem de ter este apoio», explica  Joana Cruz, nutricionista do projeto.

A última academia realizou-se no sábado, dia 2 de maio, e trouxe uma novidade, integrando a área da Psicologia com a participação de Marina Carvalho, psicóloga clínica e da saúde, que falou sobre a adaptação psicológica à doença autoimune.

Nesta sessão, «abordou-se ainda a utilização de máscaras neste novo contexto em que vivemos; na relação intestino, alimentação e doença autoimune; e, claro, fez-se exercício físico».