23 milhões para devolver o título de «Nacional» à Estrada 125

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António Laranjo, presidente do conselho de administração da Infraestruturas de Portugal revelou as intervenções prioritárias que se «destinam a devolver o título de Nacional à estrada 125», em particular entre Olhão e Vila Real de Santo António, em Tavira, na tarde de sexta-feira, dia 20 de janeiro.

O conjunto de melhorias que vão ser feitas, de forma faseada até 2020, incidem sobre «a fluidez e a segurança da circulação, a eliminação de pontos negros e de zonas de acumulação de acidentes, reabilitação da Ponte do Almargem e das passagens hidráulicas que existem ao longo de todo este troço».

Uma primeira intervenção de vulto, a lançar no quarto trimestre de 2018 é a variante a Olhão, com «seis quilómetros de extensão e sete rotundas, que permite ligar o Sotavento ao Barlavento sem ter que atravessar todo o centro urbano», como hoje acontece. Terá uma faixa de rodagem constituída por duas vias com 3,5 metros de largura cada. «Uma obra nova que vai ainda requalificar troços de vias municipais», disse António Laranjo. O responsável destacou também «uma intervenção forte na travessia urbana da Luz de Tavira, onde todos conhecemos as dificuldades em tempos de elevada pluviosidade, aquilo que é a não existência de escoamento de água em condições».

Na zona de Vila Nova de Cacela vão surgir quatro rotundas – EN397 (km 134+950); Almargem (km 139+050); Cumeada (km 140+700) e Santa Rita (km 144+500). As armaduras do tabuleiro da ponte do Almargem também vão ser mexidas «com alguma profundidade», já que está num estado de conservação EC4, que significa a necessidade de obras com alguma urgência (2 a 3 anos) para reparar a deterioração generalizada dos componentes. Mais à frente vão surgir duas rotundas na Carvoeira (km 146+500) e Manta Rota (km 148+600), Praia Verde (km 151+800) e no entroncamento da Praia do Cabeço (km 152+100). Em paralelo, a IP vai fazer obras de conservação corrente, «articuladas e programadas de acordo com as obras de fundo». «Ao longo de toda esta intervenção vamos também dotá-la com uma canal técnico rodoviário que nos permite depois alojar todos os sistemas de telecomunicações e a fibra ótica», explicou. O orçamento total para as intervenções neste troço da EN125 ascende ao 23 milhões de euros. O plano da IP para as intervenções prioritárias na EN125 a Sotavento pode ser descarregado aqui.

Botelho prefere longo prazo a «powerpoints sem datas»

Questionado sobre os prazos apresentados, o presidente da Câmara Municipal de Tavira e da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL-CI) Jorge Botelho, admitiu que «gostava das obras para ontem. Mas não sendo possível, é preferível obter uma calendarização do que um belo powerpoint sem datas lá metidas, como já assisti a muitos. Temos obras para o quarto trimestre de 2017 e temos obras para 2018. Os projetos estão todos feitos, já foram discutidos e validados pelas Câmaras. Por isso, venha o visto do Tribunal de Contas para podermos lançar estes concursos». A partir destas datas, «se não tiver tudo acabado, toleramos. Se estiver concluído, festejamos. Se não tiver iniciado, bem, isso não acredito que vá acontecer», concluiu. Estas são as prioridades que «queremos ver concretizadas, para não andarmos a mandar obras para o ar e depois com tanta baralhação já ninguém concretiza nada», sublinhou.

Proposta do PSD para suspender portagens é «oportunista»

Questionado acerca do pedido do PSD para serem suspensas as portagens na A22 enquanto decorrerem as obras na EN125, o ministro Pedro Marques diz ficar «sempre um pouco espantado com essas propostas. Não só quando fizeram algumas obras na EN125 no passado, não suspenderam nada, como esse tipo de propostas são completamente oportunistas. Como referi, o essencial das obras fazemos até ao verão para provocar o menor impacto possível na vida dos algarvios. Talvez essa posição do PSD seja um reconhecimento que finalmente estão a acontecer obras a sério na EN125», respondeu.

Variante da Luz de Tavira adiada

A variante à Luz de Tavira não caiu, contudo, «ser feita a sul nunca foi do nosso acordo porque tinha impactos enormes na Ria Formosa. A questão é que temos agora de estudar bem porque será feita a norte. Esta pressa de se fazer as coisas, não podemos andar a empatar processos, porque senão nada avança. A futura variante far-se-á seguramente, a norte, mas tem muitíssimas condicionantes. Há muita casa dispersa, temos de olhar com cuidado e com credibilidade, para que as famílias possam estar tranquilas nos seus haveres», garantiu Jorge Botelho, aos jornalistas à margem da apresentação das intervenções prioritárias na EN125, troço Olhão/ Vila Real de Santo António.